Cama compartilhada é segura?

"Nós somos o único mamífero que separa o filhote da mãe, engraçado é que ainda somos chamados de racionais. Algumas palavras tinham que ser revistas no dicionário."

Dr. Alberto Guimarães

Junta Internacional de Pais solicita ao governo adiamento de campanha que alerta os pais para não dormirem com seus bebês

Por: Macall Gordon     |     Tradução: Liana Lara

Recente relatório do governo que alerta pais a não dormirem com seus bebês é enganoso, de acordo com a Junta Internacional de Pais, denominada em inglês Attachment Parenting International (API). A API é uma organização de membros sem fins lucrativos composta por aproximadamente 100 grupos de apoio aos pais, nos Estados Unidos e quatro países estrangeiros.

A API está requerendo à Comissão de Segurança de Produtos ao Consumidor (Consumer Product Safety Comission) e a Associação dos Manufatureiros de Produtos ao Juvenil (Juvenile Products Manufacturers Association) para adiar sua campanha pública sobre “riscos ocultos ao posicionar bebês em camas de adultos”, até que pesquisa médica mais detalhada seja realizada sobre a matéria.

“Milhares de pais ao redor do mundo dividem suas camas seguramente com seus bebês todas as noites”, disse Lysa Parker, diretora executiva da API. “Nossa experiência mostra que pais que seguem as normas de segurança para a prática da cama compartilhada (co-sleeping), obtêm os benefícios de um ciclo de sono melhor para mãe e criança, aumento da amamentação e do vínculo emocional com suas crianças. Mães inclusive têm salvado a vida de seus bebês por estarem ao lado quando o bebê adormecido parou de respirar”.

A API alega que a conclusão da CPSC de que a cama-compartilhada é de natureza arriscada leva à deduções precipitadas que não são sustentadas por dados da API.

Informação segura

Existe evidência perturbadora de que a informação sobre a qual estas reivindicações definitivas são feitas é incompleta, não confiável e enganosa. A API culpa a Comissão de Segurança de Produtos ao Consumidor por confiar em informação inconsistente e incompleta de certidões de óbito, relatórios de médico-legistas, recortes de jornal e outras fontes piadistas, ao invés de utilizar estudos médicos compreensíveis.

O próprio relatório de fatos da CPSC demonstra que 22% das mortes “envolveram asfixia”, porém, a mesma CPSC admite que “nenhum detalhe adicional tornou-se disponível”, significando que a causa real da morte não foi claramente determinada como sendo resultado de condições de risco; de fato, isso não parece claramente determinado de forma alguma. Outros 8% de crianças foram encontrados deitadas na cama com o rosto virado para baixo, mas “não é conhecido se roupas de cama (tais como cobertores, almofadas etc) estavam envolvidos nestes incidentes”. Desta forma um total de 30% das 180 mortes não resulta conclusivamente de uma situação de risco ou perigo de uma cama de adulto propriamente dito. Uma coleção de dados e análises adicionais deverá ser utilizada na busca de entendimento mais completo sobre a causa dessas mortes.

Quinze das mortes (outros 8%) citadas pela CPSC foram decorrentes de incidentes relacionados com roupa de cama, tais como sufocação por almofadas e cobertores. Estes perigos são completamente passíveis de prevenção quando pais compreendem e observam como tornar o ambiente do sono seguro. Muito embora a CPSC não tenha deixado isto claro em sua declaração, estes riscos relacionados à roupa de cama também afetam crianças que dormem em berços.

A informação reunida pelas fontes da CPSC também falha em identificar os casos decorrentes de pais que eventualmente fizeram uso de álcool ou drogas enquanto compartilhavam a cama com seu bebê. Estes relatórios tão pouco indicam quantas destas crianças morreram enquanto dormiam sozinhas em uma cama sem supervisão dos pais.

Especialistas indicam que o diagnóstico “deitado-virado” (overlying) é notoriamente difícil de ser comprovado e existe uma tremenda variação na forma do uso do termo através do país. Acrescente-se a isto o fato de crianças encontradas em berços serem mais susceptíveis ao diagnóstico da Síndrome da Morte Súbita Infantil – SMSI (SUDDEN INFANT DEATH SYNDROME – SIDS). Eles afirmam que é praticamente impossível determinar a causa exata da morte sem uma investigação médica completa.

Risco relativo desconhecido

Sem uma noção de quantos pais praticam a cama compartilhada de forma segura com seus filhos, não sabemos o risco relativo de dormir com uma criança. Em outras palavras, se milhões de pais dormiram com seus filhos sem incidente, conseqüentemente 60 ao ano, enquanto que uma tragédia é também um número relativamente pequeno.

Não é mencionado o número de crianças que morreram em seus berços durante este mesmo período de tempo. Aparentemente muito mais crianças morreram de sufocação ou outras razões em berços do que em camas de adultos, ainda assim não existe nenhum movimento da CPSC para banir berços simplesmente porque crianças morreram neles. Ao contrário, eles estimulam manufatureiros e pais a produzir berços mais seguros. Exatamente esta mesma abordagem poderia e deveria ser usada com a cama compartilhada. Pais deveriam ser educados sobre como dormir de maneira segura com seus bebês através da criação de um ambiente livre de riscos tais como camas macias e fofas, espaços entre o colchão e a parede e extremidades de cama sem guarda.

Conflito de interesses

A API também menciona um conflito de interesse na campanha porque ela é co-patrocinada pela JPMA, uma sociedade comercial que representa os manufatureiros de berços, que se posiciona pelo lucro através do aumento nas vendas de berços. A publicação pela API ajudou a lançar a campanha nacional que tem por intenção distribuir alerta na forma de panfletos, cartazes e novos clipes de vídeo anunciando instalações para cuidado da saúde, pontos de venda a varejo e organizações populares.

“Nossa experiência mostra que pais estão procurando por boa informação de autoridades médicas”, disse o membro da API, Parker. “A opinião de um grupo de indústrias de comércio que vende berços não é um substituto válido para pesquisa médica sólida. A API apóia os esforços para promover um ambiente de sono seguro para crianças. No entanto, ao invés de banir a cama de família, vamos fazer desta uma campanha que informa aos pais sobre como compartilhar a cama com segurança com seus bebês”.

Orientações para a cama compartilhada com segurança

  • Coloque a criança para dormir deitada de costas
  • Coloque a criança ao lado da mãe, em vez de entre a mãe e o pai
  • Utilize uma cama grande e firme e tome precauções para prevenir a queda do bebê da cama
  • Não durma com a criança em uma cama d’água ou sofá
  • Não coloque uma criança para dormir sozinha em uma cama de adulto
  • Não utilize almofadas e roupas de camas fofas
  • Não compartilhe a cama com seu bebê sob a influência de drogas, álcool, medicação para resfriado e alergia que não necessitam de receita médica para a compra ou se estiver extremamente privado do seu sono
  • Irmãos, irmãs ou babás não devem dormir com a criança

A API incentiva a CPSC a verificar o risco relativo do ambiente do sono tanto quanto os benefícios da cama compartilhada. A utilização pública de informação pobre de conteúdo não é em prol do melhor interesse de pais ou de crianças que a CPSC procura proteger. Parker diz que “A API solicita um relatório objetivo, compreensivo e independente, que analise o risco relativo de todos os tipos de ambiente de sono. Apenas quando isto estiver disponível poderá a CPSC verdadeiramente assistir pais a tomar a melhor decisão para suas famílias”.

Fonte: Attachment Parenting International

Copiado do blog Grupo Soluções Para Noites Sem Choro

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